Registros analisados por uma comissão parlamentar indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, realizou deslocamentos entre Brasília e São Paulo, em agosto de 2025, em circunstâncias que envolvem empresas de táxi aéreo ligadas ao empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com os documentos enviados à CPI, o ministro acessou o terminal de aviação executiva do aeroporto de Brasília às 19h do dia 7 de agosto de 2025, logo após uma sessão plenária no STF. Em seguida, três aeronaves privadas decolaram da capital federal com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Entre os voos registrados, um deles — operado pela empresa Prime, que manteve participação societária de Vorcaro até setembro de 2025 — partiu às 20h05 e pousou às 21h33. Outra aeronave, da FSW PSE, decolou às 19h16, mas o piloto declarou formalmente que o ministro não estava a bordo.
MENSAGENS E POSSÍVEL ENCONTRO
No dia seguinte ao deslocamento, mensagens atribuídas a Vorcaro indicam um possível encontro com o ministro. Em conversa com sua ex-esposa, Martha Graeff, o empresário afirmou:
“Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro.”
A mensagem também menciona o senador Ciro Nogueira. Dias depois, em 11 de agosto, Moraes participou de um evento jurídico no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
OUTROS REGISTROS DE VIAGENS
Dados adicionais apontam situações semelhantes em outras datas. Em 16 de maio de 2025, o acesso de Moraes ao terminal executivo foi registrado às 9h30. Sete minutos depois, uma aeronave ligada a empresa associada a Vorcaro decolou com destino a Congonhas.
Já em 1º de agosto, o ministro, a advogada Viviane Barci e um integrante de sua equipe chegaram ao terminal às 12h40. Apenas quatro minutos depois, um avião privado partiu para São Paulo, sendo o único voo com esse destino naquele horário.
CONTRATO E POSICIONAMENTOS
Em nota, o escritório da advogada informou que utiliza serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation, com pagamentos realizados por meio de compensação de honorários advocatícios.
O Banco Master, ligado a Vorcaro, manteve contrato com o escritório entre fevereiro e novembro de 2024, totalizando R$ 129 milhões ao longo de três anos. O acordo foi encerrado após a liquidação da instituição pelo Banco Central.
Procurado, o gabinete do ministro não comentou os voos específicos. Em manifestação anterior, Moraes afirmou que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”, reforçando que nunca viajou em aeronaves de propriedade direta do empresário, nem em sua companhia. No entanto, não detalhou eventual uso de aeronaves vinculadas a empresas que tiveram participação societária de Vorcaro.
Fonte: Estadão
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