O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, iniciada em março, quando a taxa estava em 15% ao ano.
A decisão foi unânime entre os sete integrantes do Copom, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A reunião foi a primeira desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro. O Banco Central justificou a manutenção dos juros diante da piora das expectativas de inflação, dos impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e das incertezas relacionadas à economia brasileira e internacional.
No comunicado, o comitê afirmou que o cenário exige "serenidade e cautela" na condução da política monetária, sem indicar quando poderá retomar a redução dos juros.
MERCADO ELEVA PROJEÇÕES PARA JUROS E INFLAÇÃO
A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, que demonstrou maior preocupação com as perspectivas fiscais do governo após o resultado das eleições presidenciais.
O primeiro Boletim Focus divulgado após o segundo turno, na terça-feira (3), apontou elevação nas projeções para a taxa Selic:
- 2026: de 13,25% para 13,50% ao ano;
- 2027: de 11,75% para 12,50% ao ano.
As estimativas para a inflação também foram revisadas para cima:
- 2026: de 5,19% para 5,22%;
- 2027: de 4,34% para 4,76%.
As duas projeções para a inflação superam o teto de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, cuja meta central é de 3%.
O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega avalia que a interrupção dos cortes poderá se prolongar até meados de 2027, diante das incertezas fiscais e do cenário internacional.
A ata da reunião do Copom será divulgada na próxima terça-feira (10). O colegiado voltará a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro, no último encontro de 2026.
Fonte: SBT News (Caio Barcellos).
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