Um novo medicamento oral para o tratamento do câncer de pâncreas avançado foi um dos grandes destaques da reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), considerada o maior congresso de oncologia do mundo. Os resultados apresentados com o uso do daraxonrasib provocaram forte emoção entre especialistas, com aplausos de pé e relatos de médicos que chegaram a chorar durante a divulgação dos dados.
O estudo de fase 3 RASolute 302 avaliou cerca de 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático que já não respondiam mais à quimioterapia. Os participantes foram divididos entre o tratamento com daraxonrasib e a terapia convencional.
Os resultados indicaram uma sobrevida mediana de 13,2 meses para os pacientes tratados com o novo medicamento, contra 6,6 meses para aqueles que receberam quimioterapia. O estudo também apontou redução de 60% no risco de morte, além de melhor controle da doença e maior taxa de redução tumoral.
Outro dado que chamou atenção foi a baixa taxa de interrupção do tratamento por efeitos colaterais: apenas 1,2% dos pacientes precisaram suspender o uso do medicamento, enquanto no grupo submetido à quimioterapia o índice foi de 11,2%.
Especialistas consideram os resultados especialmente relevantes porque o câncer de pâncreas está entre os mais letais do mundo. A maioria dos casos é diagnosticada em estágio avançado, quando as possibilidades terapêuticas são mais limitadas.
Um dos maiores desafios da doença está relacionado à proteína RAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. Durante décadas, pesquisadores tentaram desenvolver medicamentos capazes de bloquear essa proteína sem sucesso. O daraxonrasib é apontado como uma das primeiras terapias a atingir esse alvo de forma eficaz.
A empresa responsável pelo medicamento informou que pretende solicitar em breve a aprovação do tratamento junto à agência reguladora norte-americana, a FDA. O remédio já recebeu a classificação de "Breakthrough Therapy", concedida a terapias consideradas promissoras e que podem oferecer benefícios significativos em relação aos tratamentos disponíveis.
No Brasil, a eventual disponibilização do medicamento ainda dependerá de análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de futuras decisões sobre sua incorporação pelos planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Fonte: Blog do BG, com informações do g1.
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