terça-feira, 22 de julho de 2014

COLUNA DO JORNALISTA TÚLIO LEMOS DO JORNAL DE HOJE

Os dois principais candidatos ao Governo do Estado, Henrique Alves e Robinson Faria, continuam recebendo e oficializando apoios de lideranças do interior. O palanque de Henrique é claramente o mais forte e o que tem recebido mais apoios de peso; Robinson não tem conseguido competir em matéria de liderança interiorana.
SUPERIORIDADE
O apoio de lideranças impressiona e influencia numa campanha eleitoral. Tem muito mais esse aspecto estético do que prático, do ponto de vista eleitoral. O que ocorre nessa fase da campanha é a confirmação da superioridade política indiscutível da chapa Henrique e Wilma, que reúne quase 20 partidos e lideranças de todo o Estado.
RESPOSTA
A grande dúvida da campanha majoritária desse ano está justamente na resposta à seguinte pergunta: As lideranças políticas vão conseguir levar o eleitorado para apoiar as candidaturas de Henrique e Wilma? Se a resposta for positiva, o acordão dispara na preferência popular e a chapa ganha a eleição.
DÚVIDA
Porém, se a resposta for negativa, o pleito será bastante disputado, com chances de Robinson Faria ganhar a eleição em cima da rejeição ao nome de Henrique; e Fátima levar vantagem diante do desgaste dos escândalos de Wilma.
REALIDADE
A força das lideranças políticas em uma eleição majoritária é relativa. Isso é fato. A história recente dos pleitos de Natal e do RN, já mostraram que um palanque pode ser gigante, mas se o povo quiser outra candidatura, a derrota é certa. Outro ponto é o desgaste da maior parte dos prefeitos do RN. Ter o apoio de um prefeito repudiado pela população, é mais negativo que não tê-lo.
REALIDADE II
O fato é o seguinte: Uma liderança rejeitada pelo eleitor, sendo prestigiado pela chapa majoritária, não tem peso de transferência. Pode até ter efeito contrário e prejudicar o candidato. E o efeito rolo compressor de uma candidatura sobre outra, também produz no eleitor simples, a sensação de ajudar a quem é ‘vítima’.
CAMPANHA
Nas campanhas eleitorais do RN, os principais candidatos fazem o de sempre: montam o palanque com lideranças, transferem para os políticos a responsabilidade de conquistar o voto do eleitor e aguardam como grande momento o palanque eletrônico, a propaganda no rádio e na TV. O de sempre que se repete agora.
LEMBRANÇA
Na história recente do RN, somente um político fez diferente e ganhou a eleição: Geraldo Melo. Ele assumiu o comando de sua campanha; ele era a estrela; ele ia diretamente aos municípios e mantinha contato direto com o eleitor. Geraldo fazia caminhadas nas cidades, coisa que somente as lideranças locais fazem em tempo de eleição municipal. Foi a primeira vez que um candidato a governador fez caminhadas de casa em casa nas maiores cidades. Resultado: começou a campanha com 2% e venceu o adversário que tinha mais de 60%.
PERFIL
Hoje, naturalmente, as campanhas são diferentes. Os candidatos, idem. Com perfil distante do eleitorado, Henrique e Robinson se assemelham, pois não são carismáticos e esperam que as lideranças municipais resolvam. Pior para Robinson, pois, nesse caso, Henrique leva vantagem numérica e vai continuar no palanque. Cabe ao adversário ir ao encontro do povo.
DECISÃO
Para tentar equilibrar a disputa com chances reais de ganhar a eleição, Robinson precisa ser mais ‘agressivo’, ir às ruas e conquistar o eleitorado diretamente, sem intermediários. Precisa encontrar um discurso que esteja em sintonia com o eleitorado; fazer caminhadas nas ruas das maiores cidades e não ter medo de fazer comparações com seu adversário.
FEDERAL
Em discurso para receber o apoio do prefeito de Assu, Ivan Jr., o deputado Henrique Alves, disse o seguinte: “Com recursos do orçamento estadual, ninguém prometa, que não vai cumprir. Temos de procurar parcerias. Não tem uma porta em Brasília que eu não entre sem pedir licença. Conheço todos os caminhos”.
FEDERAL II
Pelo que disse, literalmente, Henrique conhece todos os caminhos e entra em todas as portas sem pedir licença. O que será que houve com as portas no período em que ele ia com Rosalba aos gabinetes em Brasília? Será que era só visita de faz de conta? E com Micarla, em que apareciam nas fotos com ministros e o dinheiro nunca chegava? Também era faz de conta?
PEDIDO
Hoje, Henrique realmente entra em todas as portas sem pedir licença. Ele é o presidente da Câmara dos Deputados. Se for eleito governador, será mais um governador de um pobre Estado do Nordeste, pedinte como os demais. Tanto ele quanto Robinson, serão tratados como pedintes. O tempo de mando não existirá mais.

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