O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, na última segunda-feira, uma nova edição do programa de renegociação de dívidas, o chamado Desenrola 2.0, menos de três anos após a primeira versão. A iniciativa, segundo análise editorial, deve se tornar um dos principais temas explorados na campanha eleitoral.
O programa foi estruturado em quatro frentes — famílias, estudantes com débitos no Fies, agricultores e micro e pequenas empresas — com o objetivo de alcançar um público estimado em até 100 milhões de pessoas. Apesar do potencial benefício imediato aos contemplados, a avaliação aponta que o alívio tende a ser temporário, sem enfrentar as causas estruturais do endividamento no país.
Entre as críticas destacadas está a ausência de medidas voltadas ao controle do gasto público e à redução da pressão sobre os juros, considerados fatores centrais para o aumento da inadimplência. O texto também aponta que iniciativas como o Desenrola podem incentivar o endividamento recorrente, ao criar a expectativa de novos programas de perdão de dívidas.
O novo modelo amplia o público-alvo para pessoas com renda de até cinco salários mínimos, permitindo renegociação de débitos com descontos que variam de 30% a 90%, prazos de até 48 meses e juros limitados a 1,99% ao mês. Há ainda possibilidade de utilização de parte do FGTS para quitação das dívidas.
Outras medidas incluem condições facilitadas para microempresas, produtores rurais e estudantes do Fies, com descontos que podem chegar a 99% em alguns casos.
Em discurso, o presidente afirmou que o programa pode estimular o consumo e aquecer a economia. No entanto, a análise editorial alerta para possíveis efeitos negativos, como o encarecimento do crédito diante do aumento do risco de inadimplência.
Por fim, o texto reforça que o desequilíbrio fiscal do Estado é apontado como a principal causa do endividamento no Brasil, e que, sem enfrentamento desse problema, programas de renegociação tendem a ter impacto limitado.
Fonte: Editorial do jornal O Globo
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