APÓS OPERAÇÕES, PREFEITOS DE MOSSORÓ, MACAPÁ E MANAUS FALAM EM ‘PERSEGUIÇÃO’ PARA TENTAR ALAVANCAR PRÉ-CANDIDATURAS AO GOVERNO
A poucos meses do início formal do período eleitoral, prefeitos que se tornaram alvos, diretos ou indiretos, de investigações na Justiça passaram a adotar o discurso de “perseguição política” na véspera das disputas aos governos estaduais como estratégia para impulsionar suas pré-campanhas.
Levantamento aponta ao menos três cidades onde chefes do Executivo municipal seguem essa linha e já se colocam como pré-candidatos aos governos estaduais: Mossoró (RN), Macapá (AP) e Manaus (AM). Em comum, os três casos têm forte presença nas redes sociais e a narrativa de que seriam alvos por representarem nomes “fora da política tradicional”.
Mossoró
No fim de janeiro, a Polícia Federal cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga supostos desvios de emendas destinadas à saúde no interior do Rio Grande do Norte. Entre os alvos estava o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
Cerca de dez dias após a operação, o gestor formalizou o anúncio de sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Em publicação nas redes sociais, afirmou estar “em paz” e sugeriu que a investigação teria motivação política.
Segundo ele, o processo teria sido iniciado em 2023, mas ganhou repercussão justamente em 2026, ano eleitoral, quando seu nome aparece bem posicionado em pesquisas para o governo estadual.
Manaus
Situação semelhante ocorreu em Manaus. O prefeito David Almeida (Avante) anunciou sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas em 23 de fevereiro, poucos dias após a Polícia Civil prender uma ex-chefe de gabinete dele em operação que investiga um suposto “núcleo político” ligado ao Comando Vermelho.
Durante o lançamento da pré-campanha, Almeida afirmou ter sido ameaçado politicamente por um ex-aliado, o senador Omar Aziz (PSD), também pré-candidato ao governo. Aliados do prefeito passaram a responsabilizar o senador pela prisão da ex-auxiliar.
Nas redes sociais, o prefeito declarou que não pretende “se render aos ataques dos poderosos” e que novas perseguições ainda poderiam ocorrer.
Macapá
Em Macapá, o prefeito Dr. Furlan (PSD) também anunciou pré-candidatura ao Governo do Amapá após se envolver em uma investigação. Ele foi afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda fase da Operação Paroxismo, da Polícia Federal.
A operação apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. Além do prefeito, o vice-prefeito também foi afastado.
Em publicação nas redes sociais, Furlan afirmou que a decisão judicial seria “contra a vontade do povo de Macapá”. No dia seguinte, renunciou ao cargo para disputar o governo estadual contra o atual governador, Clécio Luís (União Brasil).
Aliados do prefeito chegaram a organizar manifestações na capital amapaense contra a operação policial e o afastamento do gestor.
Fonte: Metrópoles / Blog do BG.
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