Do editor
Divulgada a pesquisa do IBOPE sobre as eleições no RN (ver postagem https://bit.ly/2MnLm6P ).
Não se pode negar a credibilidade desse instituto nacional.
Todavia, os números apurados são apenas o retrato do início da campanha e não revelam o quadro eleitoral definitivo.
A maior conclusão é o “desapontamento” do eleitor, totalmente descrente com a política.
Isso se reflete na escolha dos candidatos apresentados, nos métodos
usados nas negociações pré-eleitorais e no índice de intenção de votos
nulos e em branco.
Para governador do Rio Grande do Norte são estonteantes os números de eleitores branco/nulo e não sabe/não respondeu.
Na pesquisa em que constam os nomes dos candidatos (portanto com o eleitor totalmente informado), 40% dos pesquisados é de voto não válido (branco, nulo, não sabe ou não respondeu).
Quando a pergunta é espontânea, ou seja, sem indicar nomes de candidatos, o quadro se agrava: 65% dos pesquisados (quase dois terços do eleitorado) inclui-se entre branco, nulo, não sabe ou não respondeu.
Para o Senado, a descrença do eleitor se manifesta com maior
intensidade, gerando incógnitas sobre quais serão os dois eleitos no
Estado.
Os resultados mostram claramente a insatisfação com os nomes colocados pelos partidos como opções.
Senão vejamos.
O pesquisado respondeu sobre as suas preferencias para as duas vagas
do Senado, ou seja, a soma dos percentuais a ser considerada deve ser de
200%.
Considerado esse aspecto, a soma dos votos nulos, abstenções, não sabe e não respondeu atinge mais de 100%.
Trocando em miúdos: em cada 10 eleitores, mais de cinco rejeita e não
sabe em quem votar para o Senado no RN. Percentual altíssimo, superior à
metade do total do eleitorado.
Tais resultados colocam interrogações, sobretudo nas candidaturas de
Garibaldi Alves e Geraldo Melo, que na condição de líderes,
ex-governadores e ex-senadores deveriam já atingir resultados mais
expressivos na pesquisa.
Se não alcançam, uma das causas poderá ser a não penetração no eleitorado indeciso e naqueles com a intenção de anular o voto.
Por outro lado, a queda a deputada Zenaide Maia, muito distante de
Fátima Bezerra, também revela que o seu nome não penetra na faixa dos
petistas e dos indecisos.
É nesse aspecto, que a eleição de Senado no RN, no primeiro momento,
dá sinais de que entre os nomes do capitão Stevenson (sem duvida,
revelando-se fenômeno eleitoral), Garibaldi, Geraldo e Zenaide poderão
sair os dois vitoriosos, com baixíssima votação, se considerado o total
do eleitorado potiguar.
Se mantida essa proporção, tanto para governador, quanto para
senador, podem ocorrer vitórias de candidatos com representatividade
mínima, ou seja, quem tenha 20 ou 30% do total do eleitorado poderá
ganhar a eleição, mesmo se houver segundo turno para governador.
Cenário difícil de prever.
Para Presidente da República, não se pode esconder o céu com a
peneira, ao constatar o percentual de 53% de preferencia pelo
ex-presidente Lula, mesmo na situação em que se encontra.
Cabe a grande indagação: Lula conseguirá transferir votos para os seus candidatos no estado e no plano nacional?
Em minha opinião, essa preferência lulista não está diretamente
ligada ao PT e aos seus candidatos nos estados, significando uma
preferência direta por Lula e não pelo partido.
O exemplo é que, no caso específico do RN, quase 20 pontos percentuais distanciam Fátima Bezerra de Lula.
Até agora, em pesquisas sem Lula, outro candidato do PT não tem o mesmo desempenho.
Na eleição presidencial no RN, os votos brancos e nulos teriam a ver
provavelmente, de um lado, com desconhecimento em relação aos demais
candidatos, e, de outro, com uma preferência fiel ao ex-presidente.
É lógico admitir-se que uma parte dos que dizem não vão votar em
ninguém se Lula não for candidato, desconhece os outros candidatos.
Essas pessoas, talvez não pensem em vincular o voto lulista aos seus aliados nos estados.
É possível que elas acabem escolhendo outros candidatos, à medida que forem conhecendo as demais opções.
Quem esses eleitores irão escolher é a grande indagação.
Uma realidade parece definitiva: parte dos votos será branco e nulo,
como protesto pela ausência de Lula na eleição, salvo se Haddad
surpreender e mobilizar, inclusive parte dos indecisos, a seu favor.
Se isso ocorrer, a influência favorável aos candidatos petistas nos estados será fatal.
O eleitor gosta de votar em quem vai ganhar e em que tenha força no governo federal.
Influirá, inclusive, nas eleições de senador e proporcional.
Em conclusão, a partida eleitoral foi dada e com ela cresce o desencanto do eleitorado.
Pelo menos é que se pode perceber com as pesquisas divulgadas.
Comentários
Postar um comentário