TERRORISMO NA FRANÇA

Um corpo foi encontrado decapitado e pelo menos duas pessoas ficaram feridas em um suposto ataque islâmico a uma fábrica de gás perto da cidade francesa de Lyon nesta sexta-feira. Houve várias explosões, possivelmente causadas por botijões de gás, na fábrica Air Products em Saint-Quentin-Fallavier, na província de Isère. Um dos suspeitos, identificado como Yacinne Sali, foi detido. O outro foi morto na cena do ataque por um bombeiro.
Em entrevista coletiva, o presidente francês, François Hollande, disse não ter dúvidas de que se trata de um ataque terrorista. Inscrições em árabe foram encontradas no corpo decapitado, informou o presidente. Após o atentado, Hollande decidiu deixar a cúpula da União Europeia (UE) em Bruxelas e voltar para a França.
— A intenção não deixa dúvidas: era provocar uma explosão. O ataque é de natureza terrorista — afirmou Hollande, expressando solidariedade às vítimas.
O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, que está no local do crime, confirmou que havia bandeiras islâmicas na cena do ataque. Ele ordenou o reforço da segurança em locais vulneráveis nos arredores de Lyon.
Os dois suspeitos chegaram de carro até o local e chocaram o veículo contra a entrada da fábrica. As circunstâncias da decapitação ainda não estão claras. Fontes disseram que um agressor degolou um homem com uma faca, o decapitou e deixou seu corpo perto da entrada da fábrica. A cabeça teria sido pendurada em uma grade.
O suspeito Yacinne Sali, de 35 anos, já era conhecido pelas autoridades. De acordo com os serviços de inteligência, ele não tinha participado de atividades terroristas, mas havia sido fichado por radicalização. Suspeito de ter ligações com o movimento salafista, Salim residia na região de Lyon, em Saint-Priest.
— Ele foi colocado sob vigilância antiterrorista em 2006 e 2008 — explicou Cazeneuve. — É um indivíduo que tem relações com o mundo salafista, mas nunca foi identificado por participar de um ato terrorista. Não tem registo criminal nesse sentido.
O ministro também disse que a vítima ainda não havia sido indentificada. E que a equipe de investigação estava tentando traduzir a frase escrita na bandeira deixada no local.
centro-texto-1Autoridades francesas abriram uma investigação sobre terrorismo após o ataque, que ocorreu por volta de 10h (horário local). Inicialmente, foram relatos vários feridos.
Em um comunicado, a multinacioinal Air Products, que tem sede nos Estados Unidos, confirmou o ataque e disse que a prioridade é cuidar dos funcionários. Todos foram retirados da unidade.
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy emitiu uma declaração dizendo que a “a República nunca vai ceder à barbárie terrorista”.
No Twitter, o líder do partido socialista Jean-Christophe Cambadélis pediu união e disse para o povo francês não deve se render ao medo.
O atentado vem quase seis meses após os ataques islâmicos contra o jornal satírico francês “Charlie Hebdo” e contra um mercado de produtos judaicos em Paris, que mataram 17 pessoas.
O Globo


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