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EDITORIAL DO BLOG DO BG FALANDO SOBRE O "VALE-TUDO" DA CAMPANHA DE HENRIQUE


EDITORIAL: Pancadaria e incoerência: o vale-tudo da propaganda de Henrique

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A campanha do deputado federal e atual presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, tem todo o direito de propor a mudança que quiser. Mesmo correndo sério risco de não ser acreditado ou levado ou a sério por uma boa parte do eleitorado – como vem acontecendo desde o início do período eleitoral – o deputado e candidato pode pregar – como vem fazendo – o discurso que, sendo eleito, tudo vai mudar pra melhor.
A campanha do deputado-candidato só não tem o direito de ser incoerente e contraditória ao fazer soar pelos quatro cantos do Rio Grande do Norte o discurso de que não tem nada a ver com o governo Rosalba Ciarlini. Até porque dele participou ativamente até o ano passado, véspera do ano eleitoral.
Henrique Alves não votou em Rosalba. Isto é fato. Ficou com o então governador Iberê Ferreira, já falecido. Mas aderiu ao governo de Rosalba levado pelas mãos do primo e senador Garibaldi Filho, com quem convenientemente se entendeu em 2010, com cada um apoiando um candidato.
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Henrique Alves fez mais do que aderir. Indicou nomes para o governo, apareceu como o salvador da pátria, pegou Rosalba pelo braço e ao lado dela participou de audiências com ministros da presidenta Dilma Rousseff. Tudo para salvar o Rio Grande do Norte, segundo o discurso adotado à época.
Entre os indicados por Henrique Alves e Garibaldi Filho para o governo, alguns já deixaram o cargo, depois que houve o tal rompimento administrativo e político. Outros permaneceram, como é o caso de SílvioTorquato, irmão do ex-deputado Elias Fernandes e tio do deputado Gustavo Fernandes, ambos do PMDB.
Para dizer a Rosalba como ela deveria governar e quem ela deveria chamar para tirar o seu governo da crise, Henrique, Garibaldi, Agripino Maia e João Maia criaram um tal Conselho Político. Se reuniram várias vezes, em Natal e Brasília, e nomes foram indicados para “salvar” a administração de Rosalba.
Henrique e Rosalba
Quando o segundo semestre de 2013 chegou e as esperanças de recuperação do governo de Rosalba Ciarlini permaneciam próximas de zero, o PMDB desembarcou em bloco. Estranhamente, livre das pressões políticas, Rosalba tem dado mostras de melhoria. Apesar da situação financeira desfavorável, o governo implantou o programa RN Sustentável e experimentou avanços em áreas como Saúde e Educação. Apesar dos problemas, que persistem, os índices de rejeição ao governo dela tem diminuído.
Para se livrar de vez de Rosalba, os integrantes do Conselho Politico, depois de abandonar a base de apoio da atual gestão, tiveram uma providencial ajuda do senador José Agripino Maia: o DEM rejeitou o projeto de candidatura da governadora que apresentara ao povo potiguar em 2010.
Apesar do direito natural à reeleição, Rosalba foi impedida de disputar um novo mandato. O DEM, por obra e arte do senador José Agripino, preferiu optar pelo conforto de uma coligação com o PMDB e dessa forma garantir a renovação do mandato do deputado Felipe Maia, filho e herdeiro político do senador democrata.
Com a decisão do DEM, Henrique limpou o terreno mais uma vez. Já havia convencido a ex-governadora Wilma de Faria a apoiar sua candidatura ao governo em troca de apoio ao projeto de eleição para o Senado. Com Rosalba Ciarlini impedida de ser candidata à reeleição, Henrique Alves livrou-se de ter como adversária a governadora a quem aderira e depois abandonara. Imaginem o efeito de Rosalba na propaganda eleitoral no rádio e na televisão mostrando a todo momento a companhia de Henrique e seus discursos de apoio. O deputado imaginou e por isso tratou de tirá-la do seu caminho.
Agora, que a campanha foi para um inesperado segundo turno – pelo menos para o deputado presidente da Câmara – a proposta é tentar destruir a imagem de Rosalba e associá-la ao seu adversário e ex-companheiro de chapa, o vice-governador Robinson Faria. Neste vale-tudo eleitoral, Rosalba é pintada com as cores fortes do fracasso, querem “matar a mulher” viva . A governadora não tem reagido, pelo menos publicamente. Comenta-se que tem atuado de forma a ajudar a derrotar a união política firmada por aqueles que num passado bem recente diziam como ela deveria governar.
A pancadaria em cima da governadora na reta final do segundo turno serviu, no entanto, para colocar abaixo o discurso de união, paz e amor que o deputado-candidato pregou durante todo o primeiro turno. E mostrou de vez a incoerência de quem se acha poderoso e esperto o suficiente para apagar a verdade. E, como diz o homem do campo, honesto e trabalhador, “tentar cobrir o sol com a peneira”.
Tarefa pra lá de difícil. Ou melhor: impossível.
Antes que apareça qualquer comentário direcionado ou mal intencionado, esse blogueiro nunca votou na “Rosa”.

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