O Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco enfrenta um racha interno sobre o futuro da aliança com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), aliado histórico da sigla e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Parte do partido passou a defender um eventual rompimento com o socialista, abrindo espaço para uma possível aproximação com a governadora do estado, Raquel Lyra (PSD).
De acordo com informações divulgadas pelo site Metrópoles, o debate ganhou força após declarações do deputado estadual João Paulo (PT-PE), que vê na governadora sinais mais claros de alinhamento com o Palácio do Planalto do que aqueles demonstrados atualmente por João Campos.
Segundo o parlamentar, a afinidade política vai além de discursos públicos e se manifesta, sobretudo, em atitudes concretas.
“Acho que não é o fato dela dizer que está com Lula ou que vai estar no palanque que resolve. O que tenho entendido é que, nos gestos e nos depoimentos que ela tem dado em relação ao governo do presidente Lula, ela hoje está muito mais próxima da candidatura do presidente Lula do que de qualquer outro candidato à Presidência da República no Brasil”, afirmou.
Nos bastidores do PT pernambucano, entretanto, o cenário está longe de ser consensual. Fontes ligadas à legenda avaliam que a sintonia nacional entre PT e PSB permanece mais sólida do que qualquer aproximação com o PSD de Raquel Lyra. Um dirigente petista, sob condição de anonimato, lembrou que a aliança histórica entre PT e PSB sempre teve forte impacto político no estado, considerado um dos principais redutos eleitorais do partido socialista.
“O que vejo é uma sintonia nacional do PT com o PSB que, historicamente, sempre teve reflexos em Pernambuco, por ser a joia da coroa do PSB”, destacou.
Publicamente, a cúpula do partido adota um discurso de cautela. Em entrevista ao Metrópoles, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que, neste momento, não há qualquer discussão formal sobre apoio à governadora e que a decisão caberá à direção nacional da sigla.
“O PT não debate, neste momento, a questão de apoiar Raquel Lyra. Essa decisão será tomada pela direção nacional e seguida pela estadual. É natural que ocorram especulações, mas o caminho correto será definido após o debate do grupo eleitoral”, disse.
Apesar das movimentações internas, lideranças petistas avaliam que a tendência mais provável ainda é a manutenção da aliança com João Campos em Pernambuco. A indefinição, contudo, intensifica a disputa política no estado em um momento estratégico, quando o presidente Lula busca consolidar e ampliar sua base de apoio para os próximos anos.
Caciques do PT também ressaltam que, enquanto Raquel Lyra não definir oficialmente quem apoiará na eleição presidencial de 2026, não há sinalização concreta de avanço na relação entre o governo estadual e o partido no plano nacional.
Fonte: Blog do Gustavo Negreiros, com informações do Metrópoles
Comentários
Postar um comentário