O chamado Caso Master expôs um conflito institucional de grandes proporções envolvendo alguns dos principais órgãos do Estado brasileiro. De um lado, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU); de outro, a Polícia Federal (PF) e o Banco Central (BC).
Segundo análise publicada pelo colunista Mario Sabino, do portal Metrópoles, a crise teria sido detonada a partir das investigações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O episódio ganhou contornos ainda mais graves após declarações públicas do ministro Dias Toffoli, que criticou a atuação da Polícia Federal, acusando-a de inércia nas apurações.
A reação da PF foi imediata: diligências foram realizadas e materiais relevantes foram apreendidos. No entanto, a decisão de manter esses documentos sob guarda do STF — e, posteriormente, encaminhá-los à Procuradoria-Geral da República, sem participação direta da Polícia Federal — levantou questionamentos sobre o devido processo investigativo.
Paralelamente, o ministro Alexandre de Moraes instaurou um inquérito sigiloso para apurar supostos vazamentos de dados financeiros envolvendo autoridades do Judiciário, o que ampliou ainda mais a tensão entre as instituições. O foco da investigação inclui órgãos como o Coaf, vinculado administrativamente ao Banco Central, e a própria Polícia Federal.
No campo econômico, o Banco Central manteve postura firme. Com respaldo público do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a autoridade monetária avançou na liquidação de empresas ligadas ao Banco Master, reforçando a avaliação de que o caso pode representar uma das maiores fraudes bancárias da história recente do país.
O cenário revela uma disputa institucional aberta, com impactos jurídicos, políticos e econômicos ainda difíceis de dimensionar.
Fonte: Metrópoles – Coluna de Mario Sabino
Comentários
Postar um comentário