“CADU DE LULA” E “SAMANDA DE LULA”: UMA ESTRATÉGIA QUE, NA MINHA OPINIÃO, SUBESTIMA O ELEITOR POTIGUAR
Algo que me incomoda profundamente nas eleições de 2026 é a utilização de estratégias que, na minha opinião, subestimam a inteligência do eleitor potiguar.
O povo do Rio Grande do Norte não é ignorante, não é ingênuo e sabe muito bem fazer suas próprias escolhas. O potiguar sabe pensar, analisar e diferenciar as coisas.
É verdade que, principalmente no interior do Estado, é comum uma pessoa ser conhecida como “filho de fulano”, “filha de ciclano”, “esposa de fulano” ou “fulano de tal”. Isso faz parte da nossa cultura e da maneira como as pessoas são tradicionalmente identificadas.
Mas não é disso que estou falando.
Cadu Xavier nunca foi conhecido como “Cadu de Lula”. Samanda Alves nunca foi conhecida como “Samanda de Lula”. Essas denominações passaram a ser utilizadas agora, durante a campanha, estabelecendo uma associação direta dos candidatos com o presidente Lula.
E é justamente aí que está a minha crítica.
Fátima Bezerra é um exemplo que, para mim, demonstra que essa associação não precisa estar incorporada ao nome do candidato para que o eleitor saiba de que lado político ele está.
Fátima foi eleita governadora do Rio Grande do Norte em 2018 e reeleita em 2022 no primeiro turno, com 58,31% dos votos válidos. Historicamente ligada ao presidente Lula e ao PT, sua relação política com Lula sempre foi conhecida pelo eleitor potiguar, sem precisar incorporar o nome do presidente à sua identificação eleitoral.
O eleitor sabia quem era Fátima Bezerra, conhecia sua trajetória e sabia de sua ligação política com Lula.
Por isso, na minha opinião, não é necessário criar agora identificações como “Cadu de Lula” ou “Samanda de Lula” para que o eleitor compreenda as alianças políticas dos candidatos.
Se existe uma aliança com Lula, que seja apresentada claramente. Não há problema algum nisso. O eleitor tem o direito de conhecer os apoios, alianças e posicionamentos de cada candidato.
O que considero questionável é transformar essa associação em parte do próprio nome eleitoral de pessoas que, até então, não eram conhecidas dessa maneira.
O eleitor potiguar sabe quem é Lula. Sabe quem é Cadu Xavier. Sabe quem é Samanda Alves. Sabe quem é Fátima Bezerra e conhece sua trajetória política.
O povo potiguar tem memória, inteligência e capacidade para decidir por conta própria.
Na minha opinião, tentar facilitar ou direcionar essa decisão por meio de uma associação colocada no próprio nome do candidato é desnecessário e acaba subestimando justamente quem deveria ser respeitado: o eleitor.
O povo potiguar merece respeito e não precisa de artifícios para saber em quem votar.
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